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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A magnitude das estrelas

Espremo minhas mãos num desespero impotente de encontrar a mim mesma.


As estrelas, com certeza, estavam querendo me dizer algo naquela noite fresca e sem nuvens em que me encontrava deitada sobre a grama de meu quintal. Eu tentava interpretá-las a todo custo de acordo com a intensidade de seu brilho, seu tamanho e até mesmo os desenhos que formavam no céu, porém, era em vão. A única coisa que enxergava era apenas estrelas porque meu pensamento encontrava-se longe dali; este estava concentrado nos problemas cotidianos, mesmo sem a minha permissão. Essa era a prova de que eu estava dominada por minhas tristezas, angústias, decepções e, quanto a isso, eu nada poderia fazer.

Os dias se sucediam e eu continuava na mesma: cansada de tudo e de todos. Na verdade, nem eu mesma entendia o porquê de tanto drama já que eu costumava a ser extremamente otimista. Confesso que, na maioria das vezes, eu tinha vontade de largar tudo, inclusive meu emprego de advogada – muito bem remunerado, por sinal. Apenas não o fazia por medo de fracassar.

A infelicidade tinha me encontrado, finalmente. E se eu não tomasse alguma atitude naquele momento, as coisas só piorariam com o passar dos dias. Resolvi me mudar para meu sítio no interior. Talvez, lá eu encontrasse a paz que tanto precisava.

Tudo era muito calmo, não havia preocupações com horários ou obrigações a serem cumpridas. Aparentemente, as coisas corriam muito bem. Ao entardecer do dia, eu costumava ir a uma ponte assistir o espetáculo do pôr-do-sol. Havia um rio de águas claras logo abaixo que vivia cheio de peixes e flores que caíam das copas das árvores. Eu estava encantada com aquele ambiente.

Eu procurava explicações viáveis para minha drástica mudança. Seria a tensão do trabalho que me deixara triste? Seria o caos da cidade que me pertubara? Seriam as decepções cotidianas culpadas por minha melancolia sem fim? Eu não sabia.

Como se a sombra me perseguisse, aos poucos, fui cansando novamente de tudo aquilo. A ideia de me atirar da ponte todo o fim de tarde não me saía da cabeça; tinha uma imensa vontade de tingir aquelas águas cristalinas de vermelho, vindo de meu próprio sangue. Eu necessitava sentir dor.

Minhas mãos trêmulas impossibilitavam o acerto das facadas em meus dedos finos e o frio natural de meus pés anestesiava-os dos furos feitos com a agulha. A dor exterior era uma forma de esquecer a dor interna que me acompanhava. Contudo, eu não poderia agir dessa forma para sempre, uma hora ou outra a dor interna seria mais forte do que minhas próprias vontades. Eu não tinha escolha, não existia meio termo.

Estava frio lá fora, mas, o céu não tinha sequer uma nuvem. As estrelas brilhavam mais do que qualquer outro dia daquele ano. Meus olhos paralisaram ao olhar para cima – era lindo ver que a luz ainda existia para mim. Meus pés me levaram até a ponte, onde as estrelas pareciam estar ainda mais próximas de serem tocadas. Apoiei-me na ponte, como se tentasse buscar aqueles incríveis pontos de luz, e aquilo me deixava viva novamente fazendo com que eu os buscasse cada vez mais.

De repente, me desequilibrei e acabei indo de encontro com as águas, logo abaixo de mim. Não conseguia me mover, mas, ao contrário de antigamente, eu agora não pensava em mais nada senão nos sentimentos que havia dentro de mim. Eu não estava preocupada com o sangue que corria por aquelas águas ou pelo frio que estava fazendo naquela noite, eu apenas me concentrava na magnitude das estrelas. Eu pela primeira vez na minha vida, fiz o que realmente queria sem medo de correr riscos e preocupada simplesmente em lembrar daquele raro momento. Nada mais importava, não havia mais dores porque a única dor que sempre existiu em mim foi nunca ter seguido meu coração.

Por fim, deitada agora sobre as águas, eu olhava para o céu e entendia a sua mensagem: um ser só consegue brilhar para o resto do mundo se conseguir encontrar seu brilho dentro de si mesmo. E ali eu adormeci, sorrindo.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

we'll never forget

Há dois dias ouvi um pai dizer à um filho : " não cresça antes da hora , por favor ." e , de repente , comecei a pensar sobre o assunto .
Se dependesse dos nossos pais , com certeza seríamos bebês para o resto de nossas vidas . Mas, a realidade é bem diferente .
Crescer é algo involuntário que faz parte da vida de cada um de nós e que pode ser muito esperado por uns ou muito temido por outros ...
Acontece que eu olho a minha volta e vejo cada vez mais crianças agindo como se fossem adultos , usando saltos altíssimos , roupas que as deixem com cara de "mais velha" , deixando de brincar de polícia e ladrão , passando a usar maquiagem exageradamente , deixando de curtir uma fase que eu particularmente sinto muita saudade. Essas "crianças" pularam a melhor fase da vida delas ! E , confesso , isso me deixa muito indignada ! Se tudo tem seu tempo , por que adiantar as coisas ?
Se essas "crianças" soubessem que tudo fica muito mais difícil com o passar do tempo , que as saudades machucam sim , que tudo era muito melhor quando se podia brincar , pular , rir , sem que as pessoas te achassem maluca ou algo do gênero , quando a sua imagem não representava muita coisa , quando você podia fantasiar tudo e chorar nos braços da sua mãe ao saber que a fada dos dentes não existia na realidade... Era tudo tão puro !
Porém nada vai fazer com que o tempo volte e eu não vou poder fazer nada para mudar as escolhas dessas "crianças" já que cada um é responsável por aquilo que faz . Só tenho a certeza de que elas vão sentir falta da infância algum dia mas, até lá , será tarde ... E isso é realmente lamentável .
Você não vai ser mais popular se agir como alguém mais velho, assim como não terá mais amigos por isso porque amigos de verdade te aceitam como você é . Não tente ser alguém que não reside dentro de si próprio , não use uma máscara que logo cairá . Apenas espere , você não está perdendo nada aproveitando o seu momento .
Façam com que , no futuro , bata aquela saudade apertada de tempos passados e não arrependimento por nunca terem vivido intensamente a doce e divertida ...


INFÂNCIA !